Creative Gigaworks T3
1. Introdução e descrição
O Creative Gigaworks T3 é um sistema de som 2.1, orientado aos utilizadores de computadores, que pretendam um som de qualidade superior à possível com as pequenas colunas activas comuns, sem entrarem na complexidade e na despesa que um sistema de alta-fidelidade clássico representa, com o seu amplificador dedicado e as suas colunas, de dimensões pouco compatíveis com a generalidade das secretárias.
Sendo um sistema estéreo com um canal/coluna de baixas frequências, o Gigaworks T3 representa também uma simplificação, pragmática, relativamente aos sistemas 5.1 e mesmo 7.1, que, na generalidade das instalações para computador constituem um excesso sem proveito.
Os únicos conteúdos interactivos capazes de explorarem todos os canais de sistemas de som com mais unidades, são alguns vídeo jogos. A fruição vantajosa dos detalhes envolventes, nesses casos, exige amplificação e colunas de som refinadas, devidamente posicionadas, que não estão disponíveis nos pacotes vulgares, em que o se compra é a multiplicação do barulho.
Por outras palavras, é sensato aprender com a utilização efectiva dos computadores de secretária e desenhar sistemas alinhados com essa utilização. O que se sabe – e que não deverá constituir surpresa – é que a generalidade das pessoas que utilizam o áudio do PC, pretendem ouvir música e/ou ver filmes e/ou jogar, com qualidade sonora, dispondo de pouca área para arrumarem os dispositivos.
O sistema T3 endereça muito bem o desafio da “pequena pegada” na secretária: as suas duas colunas, destinadas à reprodução dos canais esquerdo e direito, têm o volume de um punho fechado. A área que os respectivos pés ocupam não é superior à necessária para pousar um telemóvel. São tão pequenas que muitos interrogar-se-ão como será possível terem uma qualidade sonora decente.
Existe um terceiro pequeno componente: o controlo de volume, que também serve de saída para auscultadores e de entrada para alguma fonte de sinal externa. Este componente liga-se à unidade central por um fio, sendo pois um controlo remoto com fio.
As colunas (cada uma com 350 gramas) e o controlo remoto ligam-se ao “coração” do Gigaworks T3 por cabos robustos, de terminações douradas, que transmitem uma mensagem de qualidade.
No centro das operações está uma caixa (de 6 kg), que é a unidade de subwoofer activo, composta por três altifalantes idênticos (!), de 16.5 cm de diâmetro, disparando em outras tantas direcções, num desenho que a Creative apelida de “SLAM” (Symmetrically Loaded Acoustic Module). A questão da orientação é menos relevante com baixas frequências do que com agudos: esta disposição é, em parte, fundamentada pela não existência de um abertura na caixa, que é uma solução frequente para conseguir maior expressão dos baixos.
A parte posterior da caixa SLAM apresenta (1) duas fichas RCA, às quais se ligam as duas colunas “principais”, (2) uma entrada RCA estéreo (L+R) para a fonte de sinal analógico, (3) um controlo de volume que só afecta o subwoofer, e (4) uma tomada para o controlo remoto, com fio.
Todas as unidades são pretas e sóbrias, com o logótipo da Creative no canto inferior direito. As grelhas dos altifalantes do subwoofer têm uma orla circular metalizada. As grelhas protectoras das colunas são de tecido e, removidas, desvendam altifalantes cinzento-metalizado.
O subwoofer tem a potência de 50 Watt @ 8 Ohm, respondendo, de acordo com a ficha técnica, a partir dos 30 Hz. As colunas esquerda e direita, com os seus altifalantes de 5 cm, são de 15 Watt @ 8 Ohm e respondem até aos 20 KHz.
Assim, instalar um Gigaworks T3 faz-se em dois passos: (1) ligar as duas colunas e o controlo remoto à unidade central, (2) ligar a unidade central ao computador, ou a outra fonte de sinal, e depois à electricidade.
O botão de on/off está no movimento do próprio controlo remoto de volume, que parece um rato informático. Identifiquei um tempo de atraso perceptível entre os comandos para mudar o volume e esse efeito concreto, principalmente quando se parte da posição de silêncio/sistema desligado: na primeiríssima das minhas sessões aconteceu um grande estardalhaço porque, sem som de imediato (e durante mais de um segundo), girei o som para o máximo, apanhando um susto, quando a resposta aconteceu.

Acima: subwoofer + colunas

Acima: colunas

Acima: controlo remoto

Acima: ligações
2. Opinião
Comecei por ouvir Pet Shop Boys (PSB) / Yes (2009). Música electrónica com muita voz. O passo é marcado por batidas curtas e baixas; nas antípodas do espectro estão alguns efeitos de transição, como instrumentos virtuais inspirados em instrumentos de sopro; e a voz é a de um Neil Tennant, consistente, complementado por alguns colectivos.
Foi um desempenho razoável da equipa T3! Tive que diminuir o volume dedicado do subwoofer para o seu mínimo possível, porque os “boom-boom” estavam a eclipsar a voz. A letra da música não estava tão cristalina como no meu sistema PC habitual (amplificador Creek 4330 + 2x Energy XL-16 + subwoofer Energy ES-8), devido a um certo atropelo entre eventos na onda média: uma definição vocal aquém do que eu teria preferido.
Mas fiquei impressionado, pela positiva: a estereofonia é “grande”, edificando um palco alto e largo, muito para além do que sugerem altifalantes tão discretos, e o subwoofer com três unidades é pujante, noticiável, muito óbvio nas suas intervenções.
O sistema está no seu melhor a volumes discretos e mais intensos, desde que não se atinja a fronteira do festivo. O subwoofer é desproporcionalmente capaz, relativamente às colunas principais, no sentido de que se afirma sem tropeções, ao longo de um maior curso de volume e de forma mais vincada: foi/é boa ideia a presença de um controlo de volume independente para os baixos.
Em jogos, como qualquer um da série “Far Cry”, o conjunto Gigaworks T3 permite uma experiência de envolvência e intensidade espectaculares! O palco projecta-se tão generosamente que não se sente falta de mais colunas. As explosões são estomacais e a alternância entre som de ambiente meramente ilustrativo e situações de grande acção, em que os baixos se tornam o prato forte, está síncrona com o perfil de desempenho do sistema. Bom!
Com filmes, esta assinatura mantém-se. Filmes intensamente vocais, com muitas personagens, poderão constituir o desafio maior, mas sempre satisfazendo, principalmente quando a realidade bate à porta e o ouvinte percebe quão acessível e compatível com o seu espaço esta proposta pode ser, por comparação com sistemas mais orientados à alta fidelidade.
Outras músicas, como o soberbo Bruce Springsteen, Working On A Dream (2009), confirmam estes traços.
Jogos monotónicos, como simuladores de aviação ou de condução automóvel, tendem a ser mais cansativos ou mais estimulantes, consoante o volume dos baixos e as preferências do jogador, por motores mais histéricos ou mais pesados.
Ao longo de todo um dia de audições, enquanto se trabalha no computador, a proposta T3 da Creative resulta bem aprovada: os volumes discretos próprios de um consumo de música em background, traduzem-se numa presença de qualidade, que não se impõe, que deixa perceber os detalhes, que envolve o ouvinte, sem sugá-lo, ou cansá-lo.
3. Resumo
O Creative Gigaworks T3 consiste num subwoofer de três altifalantes (arquitectura SLAM), duas pequenas colunas e um controlo remoto, com fio. O sistema é essencialmente destinado a audições estéreo + canal dedicado às baixas frequências, utilizando um computador.
O seu desempenho é de qualidade, com limitações na onda média/alta, quando a informação fica complexa. A unidade de subwoofer é muito enérgica, tendo um controlo de volume dedicado, para facilitar equilibrá-la com as colunas principais.
Considerando o propósito para o qual foi desenhado e o seu bom desempenho nesse contexto, está aqui uma proposta que deve ser muito considerada.
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