Panasonic NV GS180
Está disponível o meu artigo sobre o produto Panasonic NV GS180, conforme publicado pela revista ÁUDIO.
Segue-se (apenas) a introdução. O artigo integral está disponível para download, em Panasonic NV GS180.
Com 500 gramas, já com bateria e cassete inserida, a Panasonic NV-GS180 é um concentrado de qualidade que teria parecido ficção científica, nos dias das primeiras câmaras “domésticas”: esta câmara regista vídeo digital (DV) em suporte MiniDV, podendo ainda funcionar como máquina fotográfica de 2.3 Mpixels (imagens até 1760×1320 pontos), em suporte SD, “olhando” o mundo, através de um trio de CCDs (Charge Coupled Device), cada um com aproximadamente 1/15 cm2 de área, suficiente para electro-interpretar 0.8 Mpixels “brutos”, dos quais metade (400K) serão efectivamente representados na informação de vídeo e 530K em fotografia.
Embora para o consumidor “episódico” de vídeo-câmaras, como eu, as características da NV-GS180 pareçam extraordinárias, o facto é que o mercado destes dispositivos está repleto de propostas próximas e impressionantes, pelo que, na própria linha da Panasonic, é possível encontrar modelos basicamente equivalentes àquele que aqui se testa. Ocorre-me a Panasonic GS150, que integra flash para fotografia e um mecanismo plástico, para protecção automática da lente, e que é ligeiramente mais pesada.
Optar por uma câmara de filmar, como tantas coisas, é um problema de decisão complexo. Enquanto decisor, parece-me conveniente adiantar as características que mais valorizo e as que me são irrelevantes.
É-me irrelevante a funcionalidade de máquina de fotografar, pelo que neste artigo, para além da referência técnica a essa função, pouco mais escreverei sobre o assunto.
O que eu realmente aprecio é a qualidade de vídeo: as cores registadas são fiéis às observadas? Há fenómenos de esbatimento cromático? Há detalhe na imagem, ou há porções que se esmagam, como que partes do mesmo objecto?
A liberdade criativa também deve ser muito considerada, mas há aqui necessidade de um balanço com o conforto de utilização. Por exemplo, seria muito bem recebido pelos “mais exigentes” um anel para a focagem manual, em alternativa a botões para esse efeito; mas como a generalidade das pessoas trabalha as máquinas de filmar domésticas com a mão direita para segurar-lhes o corpo e a mão esquerda para orientar-lhes o ecrã LCD, não sobrariam mãos para a focagem manual por anel: venceu o conforto, a custo da liberdade criativa de focagem mais “fina” que um anel de foco concederia.
No que toca à qualidade de vídeo destes equipamentos, generalizando, é sensato esperar melhor fidelidade de cor em câmaras de 3 CCDs (versus 1 CCD), mais também maior sensibilidade à luz. Utilizando 3 CCDs, a mesma imagem é percebida por três sensores diferentes, que podem assim electro-interpretar cada um dos componentes de cor, desde que se utilize o modelo matemático de representação adequado, como RGB (Red Green Blue) – não esquecer que vídeo digital é sinónimo de vídeo matemático.
Infelizmente – o controlo de custos a isso obriga – quando se recorre a múltiplos CCDs, os sensores são de muito menor área do que nas soluções singulares. Como a área de cada CCD é menor, há menos luz a ser recolhida, por componente de cor, pelo que os resultados “brutos” em circunstâncias de luminosidade pobre poderão ser menos bons: leia-se com mais grão e com tendência para o monocromático, à medida que os fotões vão rareando.
Duas características da NV-GS180 deverão ser apelativas: o zoom óptico de 10x e a tecnologia para estabilização de imagem.
Sobre o zoom, 10x é um ganho considerável e não será fácil encontrar-se superior, no seu segmento de preços. Quanto ao zoom digital, deve ser ignorado – se for realmente importante aumentar a imagem, é preferível utilizar software para fazê-lo e não artificializar a gravação original, recorrendo a esse processamento em tempo real.
Sobre a estabilização de imagem, em geral, existem duas soluções: a estabilização digital e a estabilização analógica. Esta Panasonic NV-GS180, recorre a um sistema digital, que se designa por EIS (Electronic Image Stabilization), em que a imagem é sujeita a processamento matemático que procura compensar as oscilações previsíveis em zooms mais intensos e em situações de trepidação regular. Nos sistemas analógicos de estabilização, minimiza-se ou anula-se o processamento, por recurso a mecanismos “naturais” de amortecimento, absorção e compensação.
Em ambos os cenários, não devem alimentar-se grandes esperanças, quanto ao efeito correctivo das estabilizações. Sendo pragmático, obtêm-se bons resultados para trepidações mínimas, mas não é possível anular, por exemplo, os solavancos constantes de um passeio de bicicleta por terreno pedregoso.
O sistema EIS não funciona no modo de registo 16:9. Isto acontece porque os pontos que o algoritmo EIS considera para determinar as correcções, estão precisamente situados em linhas que desaparecem em 16:9…
Com isto, fica a informação de que esta máquina pode gravar em formatos 4:3 ou 16:9. Está ainda disponível um terceiro “formato”, muito desinteressante, que é o 4:3 + barras horizontais…
A visualização do que se está a gravar, pode ser feita por um visor LCD de 2.5 polegadas, ou pelo “viewfinder”, a cores, de 0.33 polegadas. O ângulo do viewfinder não é ajustável (está fixo ao corpo da máquina), mas eu continuo a preferi-lo ao LCD. Penso que esta é uma daquelas preferências que está totalmente relacionada com as primeiras experiências: como as primeiras máquinas que utilizei foram todas baseadas em “viewfinder”, por desconfortável que seja uma interface monóculo, acabo por conseguir melhores resultados com ela. Para quando uma interface binóculo?
A este propósito, no que toca à disposição dos controlos da Panasonic, tenho elogios. O controlo mais discutível é o do zoom: a tecla associada está na parte superior do compartimento para a cassete, devendo ser empurrada para a esquerda/direita, para afastar/aproximar os objectos de focagem. Decidir se o afastar/aproximar se faz rápida ou lentamente, exige uma sensibilidade que melhorará com o “treino”, embora seja razoavelmente acessível, desde o primeiro contacto.
O controlo “chave” da máquina é um círculo de funções (mode dial), que decide se o modo de operação é o de máquina de filmar (em gravação ou em “play”), o de máquina de fotografar (em fotografia ou em reprodução), ou o de interface com o computador pessoal (PC), via ficha USB2, para passagem das fotos no cartão SD. Para além da interface USB2 com o PC, para as fotos, está presente uma ficha mini-firewire, para a entrada/saída de vídeo digital – esta ficha está bem situada, na face plástica que aloja o LCD.
A bateria de iões de lítio fornecida, deverá assegurar mais de uma hora de gravação contínua. O tempo de utilização disponível será maximizado, se o utilizador optar pelo viewfinder, relativamente ao LCD, e não abusar de funções como a “0 Lux MagicPix”, destinada à operação em contextos de total escuridão, recorrendo à luz do LCD…
A activação de opções específicas de cada modo de funcionamento, como a activação de EIS, redução do ruído do vento, fotografia controlada por relógio interno, e fotografias em sequência (ao ritmo de uma por cada meio segundo), faz-se por um pequeníssimo joystick/cursor, situado no centro do modo dial.
Relativamente aos modos de gravação pré-definidos, destaco o (1) sports, que recorre a uma velocidade de obturador mais elevada, logo exigindo mais luz; o (2) portrait, que desfoca o background e faz sobressair o objecto central de foco; o (3) low light, que facilita o registo em contextos de pouca luz, por meios diversos, como aumento do tempo de exposição e estímulo digital do brilho da imagem; e o (4) surf & snow mode que facilita registos quando há muito branco, como cenas de neve.
Estes modos pré-receitados, bem como o próprio uso de EIS, podem conduzir a cores e luminosidades artificiais; por isso, a Panasonic NV-GS180 permite a operação manual de tudo o que necessitei e que parece fazer sentido numa proposta “doméstica”: velocidade de obturação (1/60 a 1/8000), balanço de brancos, focagem, abertura de Íris (F16 a F2), zoom e ganho de brilho (medido em dB, devendo usar-se +dB, para maior iluminação da imagem registada).
A manipulação do “ganho” (em dB) é uma funcionalidade interessante porque pode ajudar a contornar, com eficácia, a eventual desvantagem das soluções 3 CCD, no que toca à quantidade de luz, naturalmente percebida na cena.
Bem, e a qualidade dos resultados?
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1 comment August 10 2006 10:24 pm | am | AV, PT
I dont disagree with this article…