1. Introdução e descrição
O Marantz NR1501 é um “AV Receiver” compacto. Neste caso isto significa que é um amplificador áudio de 7.1 canais, com fichas para a ligação de equipamentos de vídeo, e um sintonizador de rádio AM/FM integrado, tudo num corpo com 9.5 cm de altura e 35 cm de fundo. Estes números devem ser vistos em relação à generalidade dos equipamentos com as mesmas funções, ou em relação aos equipamentos “AV Receivers” do passado: todos mais volumosos, o que constitui um factor negativo para os consumidores que valorizam a compatibilidade com espaços para arrumação.
As dimensões estão reduzidas e o preço também: trata-se de um Marantz comparativamente acessível. As contrapartidas começam nas fichas disponibilizadas, ou na sua falta: não estão disponíveis saídas de nível de linha para nenhum dos canais de som envolvente descodificados. Nas modalidades de descodificação mais completas (modos 7.1), isto quer dizer que os sinais identificados para os canais frente-esquerdo, central, frente-direito, posterior-esquerdo, posterior-direito, surround-back-esquerdo e surround-back-direito não poderão ser guiados até amplificadores externos, tendo o utilizador que confiar na amplificação integrada de 50W @ 8 ohms, por canal. Esta potência parece adequada às colunas que se imagina que se associem a este electrodoméstico: colunas elas próprias compactas e/ou eficientes, quando solicitadas. Também faltam entradas para os mesmos canais; ou seja, o NR1501 não poderá ser utilizado para amplificar uma descodificação (7.1) externa.
Sacrificaram-se umas fichas mas, aparentemente, nada mais. A funcionalidade deste Marantz contempla tudo o que hoje é nuclear para “cinema-em-casa”: conteúdos Dolby True HD, Dolby Digital Plus, Dolby Digital, Dolby Digital EX, DTS-HD, DTS, DTS ES, DTS Neo:6, DTS 96/24 e Dolby Prologic IIx; vídeo digital por HDMI 1.3a (ou seja, compatibilidade com sinais Deep Color e x.v.Color, quando presentes na stream emitida pela fonte); e upscaling de vídeo analógico, para digital, para que o utilizador possa fazer do Marantz um concentrador de fontes de vídeo e depois possa abstrair-se das ligações ao dispositivo de visualização, que poderão ser simplificadas a um único cabo saído de “HDMI out”.
Regressando ao som, os modos mais recentes são o Dolby True HD e o DTS-HD (Master Áudio e High Resolution Audio). Nas especificações, o Dolby True HD destaca-se por ser lossless (compressão sem perda de dados), enquanto que o DTS-HD Master Áudio suporta áudio com uma resolução digital de até 24 bits e 96 kHz de amostragem, codificados até 24.5 megabits/segundo. Todavia, para a generalidade dos utilizadores, no presente, os modos mais frequentes deverão ser o DTS e o Dolby Digital, ambos em 5.1. O canal “surround back” exige duas colunas extra para a sua reprodução e esse requisito suplementar, para sessões 7.1, acaba por não ser seguido em muitas instalações.
A parte de trás do aparelho apresenta as seguintes fichas de ligação:
• Entradas para antenas AM e FM (ambas fornecidas);
• Entradas de vídeo composto e por componentes (Y, Pb/Cb Pr/Cr), para fontes “DVD”, “DSS” e “VCR”;
• Saída “Monitor Out”, por vídeo composto e por componentes;
• Entradas de áudio analógico para fontes “DVD”, “DSS”, “VCR”, “CD”, e “AUX2”;
• Saída de áudio pré-out para as baixas frequências (ficha “subwoofer”);
• Entradas de áudio digital (duas fichas ópticas e uma ficha coaxial);
• Fichas de enroscar para todas as colunas de som, excepto para as duas colunas “surround back”, que são por molas;
• Entradas HDMI para as fontes “Blu-Ray”, “Game”, “DVD” e “DSS”;
• Saída HDMI que replica a entrada que estiver seleccionada.
A frente tem um desenho simétrico: ao centro ficam o mostrador LCD e um controlo cursor, que serve para navegar pelo sistema de menus do equipamento (visível quando se utiliza a saída analógica “Monitor Out”) e para fazer reset ao Marantz (pressionando o cursor para baixo, durante três segundos). O painel frontal está delimitado por dois grandes botões circulares: o selector de fonte de sinal e o controlo de volume.
À esquerda do cursor ficam as teclas essencialmente relacionadas com o modo de audição: “surround mode” (para uma selecção manual), “auto” (para uma selecção automática em função da fonte escolhida e do tipo de stream identificada), “source direct” (para desactivar os controlos de tonalidade), e “menu” (para aceder à configuração do equipamento).
À direita do cursor ficam as teclas essencialmente relacionadas com a operação do receiver AM/FM com RDS (Rádio Data System): “exit” (relacionada com a navegação pelos menus de configuração do aparelho), “display” (para activar/desactivar o mostrador), “band” (para comutar entre AM e FM) e “memory”, para memorizar uma sintonia.
Abaixo do selector de fonte de sinal ficam uma saída para auscultadores e uma entrada à qual pode ser ligado o microfone Marantz MC101 fornecido, para o ajuste automático do sistema instalado (colunas presentes, distâncias até ao ouvinte e frequências de resposta).
Abaixo do controlo de volume, fica uma entrada “AUX1”, para a ligação de qualquer fonte analógica de áudio, como um qualquer leitor de MP3 com saída de auscultadores. Ao fugir de fichas Firewire e USB, a Marantz terá conseguido maior simplicidade e alguma economia, assegurando total compatibilidade.

O menu principal do Marantz NR1501 está organizado nas opções “System”, “Input”, “Speaker”, “CH Level” e “Sound Parameter”.
Em “System”, o utilizador pode indicar se usa subwoofer, se a saída HDMI também transporta áudio, que controlos de tonalidade estão activos e qual a sua intensidade (bass e treble em dB) e a que fontes é aplicável o vídeo upscaling (auto/component/cvbs/off) – esta função transforma sinais analógicos de vídeo, como sinais de vídeo composto e de vídeo por componentes, em sinais digitais, transportáveis pela ficha HDMI out.
Em “Input”, pode configurar-se todas e cada uma das fontes de áudio e vídeo, por exemplo dando-lhes nomes personalizados, escolhendo se o modo surround há-de ser automático e mesmo sincronizando áudio e vídeo, em 1/1000 segundos, pela função “Lip Sync”.
Em “Speaker” fornece-se informação sobre quais as colunas presentes, podendo assinalarem-se todas como ausentes (center: “no”, surround: “no”, surround back: “no”, subwoofer: “no”), excepto as colunas principais que se assume que estão sempre ligadas. As distâncias das colunas ao ouvinte e o seu limiar de resposta em frequência, medido em Hz, podem ser manualmente fornecidos, ou automaticamente detectados, pela função de “auto setup”.
A função de “auto setup” é centrada no microfone Marantz MC101, fornecido. Este microfone, com um longo fio, deve ser ligado à ficha “setup mic” na unidade central, e esticado até à posição de audição, preferencialmente elevado até ao nível em que os ouvidos das pessoas ficarem. Feito isto, basta escolher “start” e depois “apply”, para ter uma calibração que deverá ser exacta, ou perto disso, excepto num detalhe designado de “Room Eq Config” que, quando activo, compensa as características das colunas de forma a melhor “ajustá-las” à sala. Por exemplo, se as colunas principais forem muito expressivas nos graves e estiverem numa sala pequena e sem materiais absorvedores de ondas mecânicas, é provável que o “auto setup” / “room eq config” opte por diminuir-lhes as baixas frequências. A opção “room eq config” é binária: está ligada ou desligada. A minha sugestão é que se experimentem ambos os cenários e não se confie de imediato na configuração automática, neste aspecto.
O telecomando RC006SR fornecido parece robusto, mas só uma utilização de longos meses e muitas quedas poderia confirmá-lo. Sempre que uma tecla é pressionada no controlo remoto, acende-se a luz “send” que é um feedback razoável. As teclas do RC006SR são todavia quase todas indistinguíveis ao toque, com excepção do subir/descer de fonte de sinal, do controlo de volume, e do cursor. Este comando consegue controlar até dez dispositivos, configuráveis por códigos de quatro dígitos, referidos no excelente manual do utilizador.


2. Opinião
Ouvi o Marantz NR1501 sempre com uma instalação de 5 colunas: Paradigm Reference Studio 100 (frente), Castle Keep (centro) e Energy XL16 (surround). O modo sonoro mais frequente foi Dolby Digital 5.1.
Foi com um passeio até ao início da década de 2000, com a primeira season da série “Malcolm in the Middle”, que começou a minha experiência do Marantz NR1501. Nunca tinha visto o primeiro episódio: a mãe (Lois) corta os cabelos do peito e das costas do pai (Hal), nu, na cozinha, enquanto que as crianças (Malcolm, Reese e Dewey) estão entregues às suas habituais “brincadeiras” potencialmente destrutivas, no mesmo espaço, com grande naturalidade. Cada episódio é um pacote de 20 minutos de humor que oscila do berrantemente óbvio ao muito subtil. A parte do “berrante” tem a ver com a voz de Lois (actriz Jane Kaczmarek), quase sempre em modo chicote, para (tentar) controlar as crianças.
A música inicial “…you’re not the boss of me now…” pareceu pujante com a lírica bem inscrita no palco. As vozes, sem sombra de metal, frieza ou grão, foram naturais. No geral, as sessões foram confortáveis e sem reparos.
No filme “Madagascar 2”, repleto de momentos musicais, uma grande diversidade vocal e situações extremas que só um filme de animação pode proporcionar, senti que o atributo “compacto” do Marantz só diz respeito ao seu tamanho e, um pouco, à sua potência.
O NR1501 afligiu-se ligeiramente nos momentos mais agitados, incapaz de encher/envolver o espaço em proporção com a maior acção, mas as colunas instaladas são algo exigentes e a pressão sonora era quase festiva. Com volumes moderados, em vez de salientar-se alguma limitação na equipa, sentiu-se antes um calor típico dos bons AV Receivers, reminiscente dos dias em que os amplificadores estéreo dominavam. Para a minha subjectividade, o melhor indicador deste “calor” é o sustento dos sons, no tempo: uma onda mecânica não se extingue no instante imediatamente seguinte ao do início da sua reprodução, como se o passado acústico não afectasse o presente. Alguma presença residual, por brevíssimos momentos, e a sua interferência, no sentido positivo, na percepção actual, fazem sentido. Este Marantz fez sempre sentido.
Em filmes menos áudio’complexos, mas com intensidade pontual e distribuída, como “The Wrestler (2008)”, este traço confirmou-se: uma reprodução dinâmica e proporcional desde que o volume seja sensato, uma agressividade nula, uma clareza e contraste vincados, e um sustento credível que tornam as audições fáceis e realistas.
Com as colunas certas e com doses de volume razoáveis, a qualidade das sessões com o Marantz NR1501 é muito boa!
3. Resumo
O Marantz NR1501 é um “AV Receiver”: descodificador e amplificador até 7.1 canais, com entradas HDMI 1.3a, e um sintonizador AM/FM RDS integrado.
Compacto nas dimensões, sem entradas ou saídas para os canais surround, e 50 W @ 8 ohms, as sessões com este equipamento podem ser de grande qualidade, a volumes sensatos.