PC GUIA # 54 - Editorial

O Windows 2000 é a mais recente novidade da família de sistemas operativos da Microsoft. Não é um sistema operativo para qualquer PC: não faz sentido utilizá-lo numa máquina que não satisfaça certas exigências de hardware... Mas que exigências?

Numa primeira aproximação descuidada, será fácil formar-se a opinião de que o Windows 2000 é «mais pesado» do que qualquer outra proposta do Sr. Gates, não se justificando, por exemplo, para entretenimento. Estes primeiros contactos poderão ainda sugerir que há demasiado hardware não suportado, principalmente a nível de dispositivos de captura de som, imagem estática, e vídeo.

Efectivamente é isso que se passa agora em muitas situações, mas eis que está criada uma rampa efectiva, para um PC que, no futuro, não vai precisar de tecla de reset.

O Windows 2000 é um monstro de novidades, com aproximadamente 65000 erros semânticos conhecidos, mas não resolvidos (bugs...). Parece um número elevado, mas é preciso considerar que tudo é relativo e que nunca as coisas cresceram tão depressa, no que toca à variedade de tecnologias suportadas, em hardware e software.

Só há uma forma de lidar com a actual diversidade esmagadora de cenários possíveis de utilização de um sistema operativo. Essa forma é fazendo abstracção e hierarquização lógica. Quer dizer, todas as tecnologias deverão fazer a interface com o sistema, através de processos bem documentados e divulgados entre todos os solution providers. A Microsoft faz isso desde há meses. O sistema operativo dita a «interface», e qualquer produto terá de lhe obedecer, ou não ser suportado.

Este é um trabalho com décadas de idade, mas que não pode esquecer as regras que vingaram e ainda vingam em sistemas operativos menos recentes. Não pode esquecer, até certo ponto... Há ocasiões em que «a corda não estica mais» e para avançar se torna necessário romper, literalmente, amarras com o passado. Por exemplo, os fabricantes de hardware estão hoje a fazer isso, abandonando o bus ISA... e as placas de vídeo há muito que não suportam certas resoluções gráficas (< 640 x 480), antes populares, nos jogos MS-DOS.

O que se passa nestes primeiros meses de Windows 2000, é que muitos hardware providers não aprenderam ainda o novo modelo para software drivers, e não conseguem suportar devidamente os seus equipamentos, no novo sistema operativo. Há dois casos colossais desta situação: a Creative Labs e a Pinnacle.

A Creative Labs só a 23 de Março é que publicou os primeiros drivers Windows 2000 para o seu sucesso de vendas SB LIVE!, mas o software de instalação falha em muitos sistemas (incluindo o meu)! Quanto à Pinnacle e ao seu produto PCTV, a situação é um bocado mais grave: depois de prometidos drivers para a 2ª semana de Março, consta que os mesmos só serão lançados em Maio, apesar de no CeBIT (em Hannover) terem sido distribuidos CDROMs com drivers supostamente capazes, mas afinal ainda em fase BETA... embora isso não conste da distribuição.

Quanto ao software de entretenimento, despeço-me com a indicação de que todos os demos de jogos publicados no CD-GUIA #54, são jogáveis em Windows 2000, com melhor desempenho do que em Windows 9x! Isso diz qualquer coisa do progresso tecnológico que aconteceu na plataforma NT. Infelizmente, com títulos menos recentes, isso poderá não se verificar.

Quanto às exigências de hardware, a opinião que tenho formada, é que a gestão de recursos não tem pararelo, com o que se passa em nenhum outro sistema operativo «doméstico». Estou positivamente satisfeito e bem impressionado com esta última proposta da Microsoft. O Windows 2000 é um sistema operativo transparente: dêem-lhe qualidade e ele transparecerá qualidade...

Artur

www.arturmarques.com