| PC GUIA # 53 - Editorial |
Os progressos tecnológicos têm literalmente encurtado distâncias. Isto significa que uma localização periférica é hoje menos penalizante. De certa forma, Portugal sempre pagou o preço de ser «a cauda da Europa», uma vez que o transporte de bens e a representação de entidades, é mais cara na periferia.
Mas desde há uns anos que o preço da factura vem diminuindo. Aliás, há situações em que se tornou positivo ser «a cauda»... basta olhar para a História recente de alguns países europeus com muitas fronteiras, para perceber o risco que é ter vizinhos...
Assim, justificar-se-ia algum optimismo, desde que conseguissemos capitalizar estes tempos de mudança, e assumir uma posição de relevância na nova Economia Digital Distribuída. Infelizmente, estamos a perder o fòlego e isso poderá resultar mais caro do que décadas de acesso físico / geográfico dificultado! Não foram só as distâncias que se redefiniram – foi também a velocidade / Tempo com que tudo acontece.
Estamos a perder o fôlego, porque se erguem barreiras à fruição das tecnologias. A triste intenção da Comunidade Europeia de ser pioneira na aplicação de taxas ao comércio electrónico, os preços elevados dos circuitos de dados internacionais (mesmo que intra-europeus), e a exploração do consumidor final pelos operadores privados de comunicações de dados, são apenas alguns exemplos das dificuldades que, por exemplo, o internauta português vai ter de enfrentar a muito curto prazo...
No Reino Unido, a BT Telecom tem um plano de consumo em que, por um valor mensal fixo, o cliente tem direito a fazer Internet, sem limites. Em Portugal sobem os custos das chamadas locais, introduzem-se limites de tráfego, e há uma quebra no crescimento do número de utilizadores da Internet.
Por toda a Europa, são os individuais a construírem portais ou super-websites... mas entre nós, são os próprios ISP a manterem e fomentarem esses sítios, na esperança de atraírem mais navegadores (seus clientes)...
Estamos a abordar as coisas ao contrário. São os individuais que têm de ser motivados e facilitados na sua presença Internet, para que de aí nasça um suporte genuíno, que viabilize os «grandes».
Nesta edição do CD-Guia, a secção de Internet está orientada à segurança. Depois de um Fevereiro que viu alguns dos websites mais visitados, a nível mundial, serem vítimas de ataques de exércitos de computadores, que os obrigararam a débitos na ordem do GB / segundo, com a consequente paralização da capacidade de resposta das máquinas, fazia sentido incluir software de protecção...
Todavia, o meu destaque vai para a quantidade e qualidade do software com zero restrições. Há um gestor de bases de dados relacionais, um dicionário inglês-inglês massivo, editores gráficos para propósitos diversos, e um programa para quem utiliza o PC em condições regionais muito diversas, e não está para configurar manualmente todas as alterações.
São milhões de linhas de código, oferecidas para serem apreciadas e respeitadas.
Os «jogos» também justificam espaço nesta redacção. Armored Fist 3 utiliza um motor gráfico baseado em voxels (em vez de polígonos); Wheel of Time é totalmente inspirado na ficção de Robert Jordan; e Urban Chaos faz uma abordagem desintoxicante a um tema que parecia esgotado...
Viva a imaginação!
Artur