Definitive Technology ProTower 400

Introdução

Opinião

Resumo

Este artigo estreou-se na actualização 120600.


1. Introdução

Eventualmente mais conhecida pelas suas colunas bipolares, a Definitive Technology [DT] tem vindo a alimentar a sua linha ProCinema, que entretanto se tornou a mais diversa do catálogo da marca.

Considerando que a DT tem ainda uma impressionante variedade de colunas centrais, colunas satélite e uma mão cheia de subwoofers, resulta que os artigos para cinema-em-casa são actualmente os mais representados. No futuro próximo é natural que esta tendência se mantenha, uma vez que todos os mercados AV, sem excepção, vivem uma fase de renovação e / ou adaptação a novos conceitos de entretenimento. Se hoje é o DVD-Video e a fruição de experiências passivas a motivar parte significativa das mudanças, em breve serão equipamentos interactivos a redefinirem as necessidades...

As Definitive Technology ProTower 400 [DT PT400] são o topo da gama ProCinema. Não são umas colunas vulgares, em nada. Quanto à forma, lembram mais um torpedo do que uma caixa; e quanto à alimentação, exigem electricidade, mercê de duas unidades de subwoofer por caixa...

Os subwoofers são altifalantes com 6.5" de diâmetro – as mesmas medidas do que a unidade de médios – alimentados por um amplificador interno de 125 Watts, presente na base da caixa e controlado por uma electrónica que aceita sinal, ou por cabo RCA, ou directamente a partir do cabo de coluna que nutre a unidade de médios e o tweeter. Estas colunas não aceitam bi-cablagem / bi-amplificação.

Assim, as DT PT400, são umas torres de 4 fontes sonoras, integradas numa caixa, que sem ter a profundidade normalmente associada às caixas de muito baixa ressonânica, consegue excelentes resultados pela Física dos materiais, ao socorrer-se de PolyStone, um polímero extremamente denso e não ressonante. O material da caixa e a forma como cada altifalante é fixado, asseguram, em teoria, uma coloração desprezável.

É interessante que os subwoofers aceitem input RCA / LFE [Low Frequency Effects], porque isso facilita imenso a sua conexão à esmagadora maioria dos descodificadores / processadores de som envolvente. Recorda-se que, por exemplo, as descodificações Dolby Digital [DD], identificam um canal LFE...

A vantagem de se utilizar a entrada LFE das DT PT400, relativamente ao simples recurso ao cabo de coluna que tem de se lhes ligar, é que a informação que flui pelo cabo de coluna é menos especializada: quer dizer, por ali segue todo o áudio e não apenas as baixas frequências. Por outro lado, quando é possível a conexão directa a uma saída LFE, sempre se salta a etapa de amplificação, minimizando, em teoria, a probabilidade de adulteração do sinal original.

Para lá das entradas de sinal, a base da parte posterior de cada DT PT400, tem ainda um controlo de volume e um botão de ligar / desligar, ambos relativos aos subwoofers.

Um detalhe, algo desconfortável, que se verificou durante a utilização destas colunas, foi um estalo que se ouviu sempre que se ligou ou desligou o amplificador interno, independentemente do curso de volume. Todavia, merece referência que a utilização desse botão só deverá acontecer muito pontualmente, por exemplo quando não se pretende utilizar o equipamento durante algumas semanas, uma vez que as DT vêm equipadas com tecnologia de auto-activação, o que significa que só haverá consumo eléctrico quando há efectivamente sinal a amplificar. Esta estratégia de utilização é comum nos bons subwoofers activos.

As DT PT400 respondem dos 19 Hz aos 30 kHz, recomendam amplificação dos 20 aos 250 Watts, são magneticamente blindadas, e estão disponíveis a preto e a branco. Os terminais de coluna são de boa qualidade e, de certa forma, o facto de não ser possível bi-cablagem / bi-amplificação, até é de importância menor, uma vez que a amplificação externa que se utilize, só terá de excitar os altifalantes de médios e de agudos. Normalmente a bi-cablagem / bi-amplificação, acontece para individualizar os sinais eléctricos destinados à unidade de graves, dos restantes, o que até acontece neste caso, desde que se utilize a entrada LFE.

A grelha protectora das unidades sonoras é eficaz e deverá estar colocada em permanência, mas para todos os que apreciam ver a excitação dos cones, um alerta para a relativa fragilidade dos fixadores na caixa: a grelha utiliza protuberâncias plásticas rígidas que se podem partir, numa remoção / colocação  menos cuidadosa.

As DT PT400 foram integradas no seguinte sistema de áudio e AV:

- amplificador Audiolab 8000PX (destinado às colunas principais)

- amplificador Audiolab 8000S (destinado à coluna central)

- amplificador Audiolab 8000A (destinado às colunas posteriores)

- processador Sony EP9ES (para a descodificação em audições envolventes)

- subwoofer Energy ES-8 (utilizado pontualmente, para comparar com a eficácia das DT em baixa frequência)

- leitor de DVD Pioneer DV-505

- cabos de coluna Straightwire Waveguide-8

- cabos de interligação Straightwire Musicable-2

- coluna central Castle Keep

- colunas posteriore Infinity Reference 50

 


2. Opinião

Apesar das suas características aparentemente muito orientadas a sessões AV, as DT PT400 são espantosamente adequadas para audições estereofónicas. Descobri isso muito rapidamente, uma vez que o meu primeiro contacto com estas colunas foi jazzístico...

Ao passear-me por algumas edições marcantes da Verve, fiquei impressionado com a neutralidade e naturalidade das vozes, com a transparência dos agudos e com a impetuosidade dos graves! Quer dizer, foi um excelente primeiro contacto, muito positivo em todas as frentes do espectro sonoro.

Os baixos eram realmente demarcados, óbvios e credíveis, com uma força que começou por ser excessiva, mas que rapidamente corrigi, utilizando o botão de volume que controla os subwoofers. Não aconteceram vibrações arrastadas, nem ficou aquela sensação de artificialidade que denuncia incompletudes nas baixas frequências, ou uma articulação infeliz com as restantes unidade sonoras.

Mas o desempenho em comprimentos de onda elevados já se esperava muito bom, ou não estivesse metade de cada DT PT400 empenhada nisso mesmo, pelo que a surpresa maior foi a destreza em alta frequência (baixo comprimento de onda)...

Os agudos são um desafio a muitos projectos: a muito maior frequência com que se excita a unidade sonora pode causar problemas de aquecimento ou de uniformidade comportamental, ao longo do tempo; e devido à natureza do nosso sentido de audição, somos particularmente sensíveis a detalhes informativos que residam por estes endereços do espectro. Isto significa que uma pessoa empenhada poderá acusar negativamente a falta de alguns detalhes, ou ficar positivamente satisfeita com o rigor da apresentação musical.

Roger Waters sempre se deliciou com informação residual. São muito conhecidas as sequências de algumas faixas dos Pink Floyd, em que se «escondem» moscas esvoaçantes, fogueiras a crepitar, passos em madeira velha, e mesmo ossos a estalar [The Wall], mas não é preciso ir buscar estes «desafios» para perceber a transparência de umas colunas de som. Bastará reproduzir uma qualquer voz, nossa conhecida, e será trivial escutar se está algo em falta, ou não.

Diana Krall e Frank Sinatra permitiram confirmar um muito bom desempenho das DT PT400. Um desempenho vivo, cristalino e bem articulado, entre todas as unidades sonoras. Na óptica de alguns, poderá ser trabalhoso ter de ajustar o volume dos subwoofers das duas colunas, ao respectivo espaço de audições, mas considerando que esse passo apenas precisa de acontecer uma vez, parece-me que os resultados possíveis justificam totalmente o esforço.

Feliz com o desempenho estereofónico das Definitive Technology, estava muito confiante no sucesso da sua integração com o meu sistema de AV. Quando uma coluna tem um comportamento estereofónico agradável, não se põe tanto a questão de se vai manter o seu nível em sessões home-theater, mas mais a questão da sua eventual coerência com os altifalantes das restantes colunas instaladas.

Embora tenha experimentado as DT PT400 com capítulos de diversos DVD, a qualidade da minha primeira experiência absoluta com o filme Saving Private Ryan, foi tal que estou limitado nos exemplos...

Comprei Saving Private Ryan no dia em que recebi as DT em casa, mas resisti até ao fim-de-semana seguinte... O DVD em causa é a «edição especial limitada» (região 1) da obra penta-oscarizada de Spielberg, em que se conta uma história que tem início no chamado dia D (D-Day = The Day = 6 Junho 1944). É um início explosivo.

Os primeiros 20 minutos do filme são um combate terrível entre aliados e alemães, à beira-mar, na costa da Normandia, onde recentemente aconteceu (mais) um derramamento de crude. Mas se hoje se derrama crude e esgotam sofregamente os recursos não renováveis do Planeta, com a pressa de quem não se preocupa com os filhos dos seus filhos, há algumas décadas atrás, centenas de pessoas deram a vida pela libertação da Europa e pela capitulação de Hitler.

Saving Private Ryan começa com um enorme derramamento de sange e intestinos. Parodoxalmente é um espectacular festival acústico, ao nível daquelas tantas outras sequências que acabam por se tornar exemplo do que é possível com Dolby Digital 5.1.

Durante a vintena de minutos em questão, há centenas de explosões, milhares de silvos de projécteis, e baques surdos de balas contra carne... O poder dos subwoofers das DT PT400 é perfeitamente adequado à situação, dispensando por completo um subwoofer dedicado, para a maioria das salas de audições. Mais do que capazes de volumes esmagadores, as DT reproduzem uma dinâmica realista, que desce bem fundo, como as bombas que se enterram nas areias, e que «histeriza» pontualmente, nas ocasiões em que um capacete salva uma vida.

Na sequência em causa, as DT são constantemente solicitadas para uma montanha russa de informação, onde se inclui momentos vocais, uma vez que no inferno do desembarque, há gritos, pedidos de auxílio e conversas desesperadas, em todo o horizonte. O desempenho não merece qualquer reparo: é coerente, dinâmico, seguro, rigoroso, completo e emotivo!

Em alguns outros capítulos de Saving Private Ryan, as PT400 são requisitadas a uma performance menos massiva, mais especializada, como a reprodução de músicas de Edith Piaf, a edificação da acústica ligeiramente reverberante de uma igreja meio destruída, ou o silêncio ventoso de uma emboscada nos juncos. A coerência com as restantes colunas instaladas foi perfeita, como seria de esperar de um produto neutro.

A orquestração da ficha técnica do filme, re-itera a polivalência das DT e permite a pausa suficiente para se admirar umas colunas que desempenham realmente muito bem, em todos os modos de envolvência!


3. Resumo

As Definitive Technology ProTower 400 são umas colunas de três vias e 4 unidades sonoras. Duas das unidades sonoras, por coluna, são subwoofers activos, alimentados por um amplificador interno de 125 Watts.

As DT PT400 são absolutamente excepcionais e polivalentes, sendo vivamente recomendadas para qualquer modo de audição!